Chávez, junto aos seus principais assessores, criou um projeto de país, mas após a sua morte, se produziu uma ruptura nessa unidade interna.
Dentro de 50 dias, a Venezuela vai eleger os novos integrantes da Assembleia Nacional, um pleito cujo resultado hoje é imprevisível, com um país diante de uma confrontação eleitoral entre a metáfora opositora do desastre e a vitória perfeita esperada pelo governo, que abusa da consigna da consolidação do processo bolivariano. E, segundo os chavistas, revolucionário.
Para fazer uma análise mais séria, deveríamos partir dos dados de quase vinte eleições anteriores, desde a disputa de 17 anos atrás, quando Hugo Chávez chegou à presidência, as pesquisas de opinião, a análise da capacidade de mobilização do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e da Mesa de Unidade Democrática (MUD).
Não se pode deixar de considerar a delicada situação econômica do país, junto com a escassez e as longas filas, o que, para os analistas estrangeiros significa um “previsível” voto de castigo ao governo de Nicolás Maduro, com uma esperada maioria para a oposição. Mas a Venezuela é um país onde todos, bolivarianos e antichavistas, sentem falta da liderança de Hugo Chávez. O problema existe e é preciso reconhecer a responsabilidade do governo, que prefere insistir com a “guerra econômica” que, sem dúvida, não pode ser a única culpada.
E como se já não bastasse os problemas internos, o inimigo maior quer ajudar na desestabilização, promovendo dois conflitos limítrofes, com a Guiana – pelo território Essequibo – e com a Colômbia – pelo contrabando e a exportação dos seus problemas de segurança, especialmente o paramilitarismo.
Tibisay Lucena, a presidenta do Conselho Nacional Eleitoral, alertou sobre uma conspiração contra o organismo, uma denúncia que se repete a cada ano em que há eleições, e que nem sempre surge de dentro do país. Desta vez, a pressão veio do secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, e virão outros mais agressivos, segundo o diretor do diário Últimas Notícias, Eleazar Díaz Rangel.
Não é nada divertido fazer filas de até oito horas para poder conseguir comida ou medicamentos. Essas filas são ordenadas e a escassez não se deve somente ao contrabando de produtos que vai ao outro lado da fronteira. Produtos de preços regulados, e também importados a taxa oficial, também estão em falta. Os controles não surtiram o efeito esperado e a brecha cambial é monumental.
Na fronteira com a Colômbia foram detidos 66 militares venezuelanos, implicados em ações delinquenciais que continuam acontecendo. Em menos de uma semana, três ataques sucessivos a instalações estatais deixaram em evidência que se trata de planos da oposição radical que se repetirão até o dia das eleições. E depois.
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