segunda-feira, 29 de junho de 2015

CARAVANA DO OESTE DO PARÁ LANÇOU HOJE RESULTADOS DAS NEGOCIAÇÕES EM BRASÍLIA




Deputados, prefeitos, vereadores, sindicalistas, lideranças dos movimentos sociais, pescadores e empresários, apoiados pelo deputado estadual Airton Faleiro, deputados federais Zé Geraldo e Beto Faro,  pelo Senador Paulo Rocha, que aceitaram o desafio de construir uma pauta regional unificada que expressasse os interesses da Região Oeste do Pará. A pauta foi apresentada e negociada com o Governo Federal.

Se incorporaram, e reforçaram a caravana, os deputado estadual Eraldo Pimenta (PMDB) e federal Chapadinha - Francisco Aguiar (PSD).

A Caravana do Oeste do Pará, integrou as lideranças das três grandes regiões do estado do Pará: Transamazônica/Xingu; Baixo Amazonas e Tapajós.
Os temas unificados pela pauta regional foram: Regularização fundiária e ambiental, Novo ciclo de fomento e financiamento das atividades produtivas, Logística para o desenvolvimento regional, Energia a serviço do desenvolvimento da região Oeste, Universalização da telefonia móvel e internet na região Oeste do Pará, Educação superior e tecnológica, Turismo e cultura impulsionando o desenvolvimento local, Saúde, Pesca e aqüicultura. Dentro dessas temáticas foram negociadas  propostas concretas de interesse da sociedade local.

 Foram 14 audiências, sendo que cinco delas contaram com a presença  de ministros fortes como Patrus Ananias do Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA e Miguel Rossetto da Secretaria geral da presidência da república.

Mais de 70 lideranças representaram os variados grupos de interesse da região Oeste do estado do Pará.

 A caravana contou com apoio total da CONTAG e FETAGRI estadual e  contando também, com a participação do Fórum das Entidades Sociais de Santarém.

A pauta unificada foi apresentada ao governo e possibilitou dialogar e ouvir as proposições para cada temática.

A caravana  lançou hoje (29), um relatório com os principais resultados negociados, em cada área temática, acordados nas audiências com o Governo Federal. As respostas foram apresentadas como: informações sobre andamentos das obras; detalhando e disponibilidade orçamentária e financeira para novas demandas, anúncios sobre licitações em andamento; proposta de novas agendas para detalhamento da pauta.

Ao final, os integrantes da Caravana se reuniram com o Ministro da Secretária Geral da Presidência da República,  onde ficou acordado que este ministério será responsável por coordenar junto aos demais ministérios e autarquias o monitoramento da execução do que foi acordado e da abertura de novas negociações.

Para o Deputado Airton Faleiro, um dos coordenadores da Caravana, foi cumprido o objetivo  principal,  que era pautar o Governo Federal com as demandas da sociedade local. "Agora não podemos parar. Vou propor às lideranças a criação de um comitê de acompanhamento junto ao governo para que o que foi negociado não se perca no  meio do caminho, dando assim, continuidade nas negociações ", afirma o parlamentar.

Por Val Araujo

OPERAÇÃO SORRISO REALIZA 65 CIRURGIAS GRATUITAS EM PORTADORES DE FISSURAS LABIOPALATAIS EM SANTARÉM, NO PARÁ



Nesta edição, um time de 50 voluntários será responsável por realizar 65 cirurgias corretivas gratuitas em crianças e adultos com o problema.
Tratamento passa a ser continuado aos portadores de fissura da região. Seleção acontece no dia 10 de agosto.

A cidade de Santarém, no Pará, receberá, entre 10 a 15 de agosto, a edição 2015 do Programa Humanitário da Operação Sorriso (OS), organização que realiza cirurgias gratuitas em pacientes portadores de fissuras labiopalatais (popularmente conhecidas como lábio leporino e/ou fenda palatina). Neste ano foi dado um importante passo em relação a 2014: a implementação do atendimento cirúrgico aos portadores de fissuras da região, fora da época da missão. No último mês de maio, quatro crianças fissuradas foram operadas pelos médicos Flávio Brayner Ramalho e Jocivan Pedroso, voluntários do projeto, e pela equipe do Hospital Regional do Oeste do Pará. As cirurgias também marcaram a primeira etapa do plano de oferecer o tratamento completo aos pacientes da região. Para isso, dentistas locais passaram a realizar atendimento clínico aos pacientes portadores de fissura. Em anos anteriores, fonoaudiólogos da região e profissionais da Casa da Criança já ofereciam o atendimento em outras áreas.

"Esse é o pontapé inicial para que os pacientes tenham acesso ao tratamento necessário dentro do tempo adequado, sem ter que aguardar a vinda da missão da Operação Sorriso", comenta Luciana Garcia, coordenadora dos programas humanitários da Operação Sorriso.

Nesta edição, um time de 50 voluntários será responsável por realizar 65 cirurgias corretivas gratuitas em crianças e adultos com o problema. A seleção dos pacientes acontece no dia 10 de agosto, a partir das 8h, na Casa da Criança (Av. Barão do Rio Branco, 860 - Bairro Santa Clara, em Santarém-PA). Já as cirurgias serão realizadas entre os dias 12 e 15 de agosto, no Hospital e Maternidade Sagrada Família (Av. Presidente Vargas, 1.606, Bairro Santa Clara). Para participar da seleção, basta comparecer ao local nos dias indicados levando documentos de identificação do paciente e do responsável (em caso de menores de 18 anos) e exames de sangue recentes (realizados há seis meses ou menos), caso os tenha. Pacientes e mais um familiar que residam fora do município poderão solicitar por hospedagem gratuita no dia da avaliação. A organização também oferece transporte do alojamento até o hospital e alimentação sem custo.

Pacientes que não forem contemplados pela missão nesse ano não devem perder a esperança. Todos serão devidamente avaliados e registrados para realizar o tratamento em outro momento.

A missão conta com o apoio da Marinha do Brasil, da Secretaria Estadual de Saúde de Pará, da Secretaria Municipal de Saúde de Santarém, do Ministério Público do Pará, da Prefeitura de Santarém, da Associação Brasileira de Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial (ABCCMF), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), do Projeto Genoma Humano, do Albergue Pe. João Mors e da Casa da Criança e do Hospital e Maternidade Sagrada Família. Além disso, entre os patrocinadores estão as empresas Azul Linhas Aéreas, Ethicon, Temasek, Voltália, White Martins, Approach Comunicação Integrada, Icatu Seguros, CitiEsperança, Bionexo, Comerc, Pepsi, Jack Vartanian, Tennis Station, Instituto Azzi, Bradesco, Cristália, F/Nazca, Fundação Aumund, Staples, Txai, Schivartche Advogados, Covidien, Contém 1g, iZettle, Way Models e PRNewswire. Veja a lista completa no site www.operacaosorriso.org.br.

Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (93) 9 9184-0241.

Pré-cadastro

Visando uma estimativa mais fiel de demandas futuras, a Operação Sorriso criou um pré-cadastro que não é obrigatório, mas é importante para melhorar o atendimento e otimizar o tempo. Para realizar o pré-cadastro, basta acessar este link: http://programas.operacaosorriso.org.br/

Atendimento pós-operatório gratuito

No dia 19 de agosto, os pacientes que fizeram a cirurgia para correção da fissura labiopalatal durante esta missão humanitária passarão pela avaliação pós-operatória para avaliar o resultado da operação e receber orientações referentes a tratamentos complementares. “Todos devem passar pelo pós-operatório com os profissionais voluntários, pois o paciente só se recuperará plenamente se tiver todos os cuidados e fizer todos os tratamentos necessários além da cirurgia”, ressalta Luciana Garcia.

Para ajudar

Quem quiser ajudar pode fazer doações em dinheiro (para ajudar na compra de suprimentos e equipamentos médicos): http://www.operacaosorriso.org.br/participe/financie-sorrisos

Sobre a Operação Sorriso

A cada três minutos, nasce uma criança com deformidade facial no mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde existe uma criança com fissura para cada 650 nascidas e, todos os anos, mais de 5.800 novos casos endossam as estatísticas. A estimativa é que existam cerca de 300 mil pessoas com fissura lábio/palatal em todo o Brasil. Entretanto, não se sabe necessariamente quantas já receberam o tratamento.

Presente no país desde 1997, a Operação Sorriso já transformou a vida de mais de 220 mil pessoas ao redor do mundo. Em dezoito anos, já foram realizados mais de 87 mil exames e avaliações especializadas e mais de seis mil procedimentos cirúrgicos gratuitos em treze estados brasileiros. Trata-se de um procedimento relativamente rápido que em casos mais brandos pode durar apenas 45 minutos. Na manhã seguinte, o paciente já está liberado para retornar para casa. Entretanto, é importante o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, o qual a Operação Sorriso disponibiliza gratuitamente durante as missões ou faz o encaminhamento aos serviços especializados nas regiões onde atua.

"No último ano, conseguimos efetuar quatro mil avaliações médicas e 230 cirurgias. Nós entendemos as dificuldades que a população enfrenta para ter acesso a esses procedimentos e por isso buscamos sempre aumentar o número de procedimentos realizados. Não estamos atrás de recordes, mas do máximo de sorrisos que conseguirmos alcançar", vibra Ana Stabel, Diretora Executiva da Operação Sorriso. Todas as etapas da ação são gratuitas, e visam devolver a dignidade, funcionalidade e autoestima para milhares de pacientes.

Além das cirurgias, a Operação Sorriso treina profissionais locais, médicos residentes e novos voluntários no atendimento aos fissurados, para torná-los aptos a prestar assistência a pacientes em diversas especialidades, como Cirurgia, Fonoaudiologia, Anestesia, Psicologia e Ortodontia.

SERVIÇO:

Missão humanitária da Operação Sorriso em Santarém (PA)
Dia de seleção dos pacientes: 10 de agosto de 2015
Local: Casa da Criança (Av. Barão do Rio Branco, 860, Bairro Santa Clara)
Horário: a partir das 8h
Informações: (93) 99184-0241
Datas das cirurgias: 12 a 15 de agosto de 2015
Local: Hospital e Maternidade Sagrada Família (Av. Presidente Vargas, 1.606, Bairro Santa Clara)

Doações para Operação Sorriso podem ser feitas direto em conta:
Associação Operação Sorriso do Brasil
CNPJ: 08.691.563/001-85
Banco Itaú – 341
Ag: 8729 C/C: 23082-4
Comunicar depósito através do e-mail: contato@operationsmile.org.br
* Relatórios financeiros disponíveis no site
**As empresas também podem apoiar a Operação Sorriso com recursos financeiros, humanos ou contribuições em espécie ou através de parcerias corporativas.

Mais informações para a imprensa:
APPROACH COMUNICAÇÃO INTEGRADA
Tel.: (21) 3461-4616
Flávia Perez (flavia.perez@approach.com.br) – R. 135
Bianca Gomes Sallaberry (bianca.gomes@approach.com.br) – R:164
http://www.approach.com.br

Por OPERAÇÃO SORRISO

sábado, 27 de junho de 2015

13 MINISTÉRIO E BNDES RECEBERAM A CARAVANA OESTE DO PARÁ

Por Val  Araujo 
Mais de 70 lideranças saíram do Pará no inicio desta semana em direção a Brasília em busca de demandas de interesse da sociedade local com o governo federal para a região Oeste do Pará.






A caravana composta por senador, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores, lideranças sindicais, consócios, associações dos municípios, representante da sociedade civil organizada, setores empresárias e de movimentos sociais – percorreu 13 ministérios e o BNDES entre os dias 23 a 26 de junho de 2015.
O objetivo das audiências foi apresentar as problemáticas e debater as políticas publicas de fomento nas áreas da educação, rodovias federais, energia, cultura, turismo, mas acima de tudo encontrar saídas e criar ações para alavancar a economia de maneira sustentável junto aos ministérios para a região.
Esta Região, formada por três regiões administrativas - Baixo Amazonas, Xingu e Tapajós - integra um projeto de desenvolvimento do país, onde está sendo construído um dos maior marque hidrelétricos do Brasil que compreende a usina de Belo Monte e os complexos hidrelétricos do Tapajós e Teles Pires. Além da exportação de grãos do centro oeste brasileiro por meio de rodovias, ferrovias federais e portos.
Na terça-feira, 23, o primeiro ministério a ser visitado, foi o das cidades, que contou com a presença da secretaria de habitação, Inês Magalhães. Em seguida, a caravana foi recebida pelo Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso e o presidente da FUNAI, João Pedro. No final da tarde, teve a reunião no ministério de Minas e Energia, com o diretor Nacional do Programa Luz Para Todos, Aurélio Pavão.
O segundo dia, a comitiva passou por cinco ministérios, além da FUNAI. No inicio da manhã, o grupo esteve com o chefe de gabinete da Educação, Cezar Alves, o destaque foi a estruturação da Universidade Federal do Oeste do Pará- UFOPA e a criação da Universidade Federal do Xingú. Helder Barbalho, Ministérios da Pesca, discutiu a potencialidade da pesca na região e a geração de emprego e renda. Dando continuidade aos debates, foram realizadas reuniões com o Ministério de Meio Ambiente, das comunicações e com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, Sérgio Lopes do Terra Legal e FUNAI.
Na quinta feira, 25, a caravana foi recebida pelo Secretário Executivo do Ministério do turismo, Alberto Alves. Tiveram uma ampla discussão com o ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas e a presidente do INSS, Elizete Belchior. No final do dia, conversaram sobre apoio a projetos culturais, em especial ao Festival de Cinema em Alter o Chão em Santarém, com o secretário executivo do Ministério da Cultura, João Brant. No final da tarde, os integrantes da caravana tiveram a oportunidade de esclarecer questões sobre investimentos estratégicos de interesse da sociedade civil com o chefe do departamento de Relações Governamentais do BNDES, Dr. Luiz Antônio Rodrigues Elias.
No dia 26, a caravana encerrou os trabalhos com uma reunião com o ministro Miguel Rosseto da secretária Geral da Presidência da Republica e representantes do Ministério do Planejamento, que coordena o PAC. Na bagagem, todos os participantes da caravana levam esperança para o Oeste do Pará

quinta-feira, 25 de junho de 2015

CARAVANA DO OESTE DO PARÁ EM BRASÍLIA


A luta por uma pauta de interesse da Sociedade Local é o que mobiliza uma Caravana do Oeste do Pará à Brasília, no período de 22 a 26 de junho de 2015. Caravana esta que conta com mais de 70 pessoas representando os diversos segmentos de um total de 22 municípios de uma região que hoje conta com mais de 1 milhão de habitantes.
Formada por três Regiões administrativas: baixo Amazonas, Xingu e Tapajós; o Oeste do Pará é um polo de desenvolvimento onde está sendo construído o maior parque hidrelétrico do Brasil que compreende as usinas de Belo Monte e os complexos hidrelétricos do Tapajós e Teles Pires.
Uma região que conta e contará com um invejável complexo logístico formado e ou projetado por pelo menos duas grandes rodovias, uma ferrovia, dois grandes portos e as hidrovias do Tapajós e Amazonas – malha esta quase que totalmente utilizada para a exportação de grão do centro-oeste brasileiro.
Uma região emblemática pela busca desenvolvimentistas baseadas nos grandes projetos iniciados há mais de 3 décadas, como as rodovias Transamazônica e Santarém-Cuiabá.
Também uma região, que apesar do passivo social e ambiental dos grandes e novos projetos, viceja outro desenvolvimento baseado na agricultura familiar, na pecuária de pequeno e médio porte e no agroextratisvismo sustentável, muito embora este último seja o mais deficitário e incipiente.
Portanto, temos na região dois projetos de desenvolvimento: o primeiro deles de dimensões gigantescas e de interesse nacional que conta com volumosos recursos de capitais e o ainda incipiente desenvolvimento regional carente de quase tudo.


O grande desafio, portanto, é equalizar estes dois desenvolvimentos, como forma a minimizar os impactos ambientais e sociais por meio de uma pauta de interesse da sociedade local.
O objetivo de toda região aqui representada nesta grande caravana, portanto, é debater e negociar uma pauta de interesse do conjunto de atores institucionais e da sociedade civil com o Governo Federal, propondo ações pela equivalência entre o projeto de desenvolvimento de interesse nacional e o projeto de desenvolvimento regional/local.
Neste sentido, até a sexta-feira, dia 26/06, pretendemos reunir com pelo menos 10 diferentes Ministérios para apresentar nossas demandas. Já nos reunimos ontem, 23/06, no ministério da Justiça, com o ministro José Eduardo Cardozo e equipe; no ministério das cidades, com a secretária nacional de habitação Inês Magalhães; e no ministério de Minas e Energia, com o diretor nacional do programa Luz Para Todos, Aurélio Pavão. Hoje, 24/06, cumprimos agenda com o ministro Helder Barbalho, da pesca; com o ministro das comunicações, Ricardo Berzoini, das comunicações; com o ministro Patrus Ananias, do desenvolvimento agrário; com o chefe de gabinete do ministro Renato Janine Ribeiro, da educação; com o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, Francisco Caetani; e, com o presidente do ICMBIO, Claudio Mareti. Amanhã, dia 25/06, será a vez do ministro da previdência social, Carlos Gabas; e, do representante do BNDES em Brasília, Luiz Antonio Rodrigues Elias, nos receberem.
Estamos, portanto, negociando uma extensa pauta com o Governo Federal que envolve entraves como os licenciamentos ambientais remanescentes para as obras de alguns trechos da Transamazônica; a regularização fundiária; as ligações restantes do programa Luz Para Todos; o desenvolvimento sustentável das Unidades de Conservação, dentre outras.
Também estamos tratando da ampliação do Minha Casa Minha Vida; buscando alternativa de crédito para empreendimentos de pequenos e médios portes; propondo alternativas para o desenvolvimento educacional e científico voltado às habilidades econômicas locais. Neste ultimo item, por exemplo, já conseguimos um excelente acordo que virá a ser o primeiro Polo de desenvolvimento de fármacos da região. Trata-se de um convênio tripartite entre INCRA, UFOPA e FIOCRUZ para a instalação de um Centro de
Pesquisa, Desenvolvimento e Produção de Fitoterápicos em Santarém. Uma iniciativa que trará certamente desenvolvimento científico aplicado à sustentabilidade, englobando os conhecimentos tradicionais, a melhoria de vida e da economia das populações tradicionais e pequenos agricultores.
Zé Geraldo

Terras indígenas no arredor de Belo Monte sofrem com roubo milionário de madeira

Equipe do ISA sobrevoou 7.600 km da região de Cachoeira Seca e registrou o impacto da ação dos madeireiros
Enquanto a construção da polêmica usina de Belo Monte passa por sua fase final, indígenas vizinhos
ao empreendimento enfrentam uma explosão da extração de madeira ilegal em suas terras.
É o que denunciam o Ministério Público Federal (MPF) e ONGs que atuam na região do em torno de Altamira, no Pará. Para estas instituições, as obras da usina ─ a terceira maior hidrelétrica no mundo ─ estão diretamente ligadas ao aumento da degradação, devido ao forte crescimento populacional que provocaram na área. A situação é mais grave na Cachoeira Seca, terra indígena do povo Arara já reconhecida pela Funai (Fundação Nacional do Índio), mas que aguarda por homologação do Ministério da Justiça. A própria Funai reconhece que o quadro é crítico em um relatório de março ao qual a BBC Brasil teve acesso.
O Instituto Socioambiental (ISA) faz uma estimativa, segundo a entidade, “conservadora”, de que o equivalente a R$ 400 milhões em madeira teriam sido roubados dessa terra indígena apenas em 2014 ─ são ipês, jatobás e angelim-vermelhos, cujo mercado principal costuma ser as indústrias no Sul e Sudeste do país.  O ISA acredita que o aumento da extração estaria atendendo também a uma crescente demanda em Altamira, cidade cuja população saltou 50% após Belo Monte, para 150 mil pessoas. Desde 2011, a organização monitora a degradação da área, combinando análises de imagens de satélite, trabalho de campo e sobrevoos de fiscalização.Raro registro de índios Arara em maloca próxima ao rio Iriri feito em 2010 pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi)
A estimativa é de que a área explorada ilegalmente por madeireiros dentro da Cachoeira Seca mais do que dobrou, passando de 4.700 hectares em 2013 para 13.390 hectares em 2014 ─ equivalente a 1.080 estádios Maracanã, no Rio de Janeiro.
O território total da Cachoeira Seca é de 733,7 mil hectares e equivale a quase cinco vezes a cidade de São Paulo.  Apenas no ano passado, o ISA calcula que mais de 700 km de estrada foram abertos na terra indígena, de modo que os madeireiros estão hoje a apenas 30 km da aldeia Iriri, base dos Arara. Atualmente, a situação está descontrolada. Já tem cinco anos que estou na região. Antigamente, os caminhões de madeira só andavam à noite. Agora é dia e noite
Juan Doblas Prieto, analista de geoprocessamento do ISA
“Atualmente, a situação está descontrolada. Já tem cinco anos que estou na região. Antigamente, os caminhões de madeira só andavam à noite. Agora é dia e noite”, afirma Juan Doblas Prieto, analista de geoprocessamento do ISA.
Cachoeira Seca é considerada uma região de conflito interétnico ─ apesar de a Funai ter declarado a área como terra indígena, centenas de não indígenas (pequenos produtores rurais, fazendeiros e ribeirinho) ainda vivem ali. A retirada desses grupos deveria ter sido realizada até 2011 e é uma das exigências legais para que Belo Monte possa começar a operar. Até hoje, porém, o governo pouco avançou nesse processo.
Por Uuruará em Fcco

Agência Abraço se reúne com Secretaria de Comunicação Eletrônica do MiniCom para tratar de Rádios Comunitárias

A diretoria da Agência Abraço de Comunicação Comunitária se reuniu nesta segunda-feira (22/6) com o secretário de comunicação eletrônica do Ministério das Comunicações, Emiliano José, e também com o diretor do Departamento de Acompanhamento e Avaliação de Serviços de Comunicação Eletrônica, Adolpho Loyola. O objetivo do encontro foi tratar Plano Nacional de Outorgas de 2015 e repudiar a perseguição da Anatel contra as rádios comunitárias, quem vem sofrendo autuações truculentas e multas absurdas. O coordenador da Abraço-DF (Associação Brasileira de Rádio Difusão Comunitária no Distrito Federal) e diretor da Agência Abraço em Brasília, Divino Cândido e o radialista comunitário João Moreno, ressaltaram que as rádios comunitárias merecem um tratamento diferenciado, já que são instrumentos democráticos do povo brasileiro.

De acordo com o secretário, o Ministério das Comunicações está cuidando de diversos assuntos relacionados ao desenvolvimento da radiodifusão comunitária. “Estivemos em diversos municípios por todo o Brasil, estudando e conhecendo as demandas das comunidades. Teremos ainda este ano, Plano Nacional de Outorgas para cerca de 500 municípios em todo o Brasil. A luta das rádios comunitárias também é minha, pois faço parte do movimento de democratização das comunicações há mais de 40 anos”, ressaltou Emiliano José.

O radialista João Moreno também frisou a difícil situação de algumas cidades, incluindo, Brasília, que tem problemas de choque de frequência. “O governo precisa olhar com mais cuidado para cada cidade, que tem a rádio comunitária como principal meio de comunicação. E o choque de frequência é um dos problemas que atrapalha a transmissão, já que as emissoras de determinada localidade utilizam do mesmo espectro de frequência”, disse o comunicador.

Para o diretor da Agência Abraço, Divino Cândido, foi importante levar até a Secretaria de Comunicação Eletrônica, os atuais problemas que passam as rádios comunitárias do Brasil. “Viemos aqui para assegurar que o Plano Nacional de Outorgas seja realizado, e repudiar a ação dos técnicos do Ministério das Comunicações e da Anatel, que vem fazendo de tudo para dificultar o trabalho das rádios do povo. É inadmissível que as rádios comunitárias sejam fiscalizadas de formas tão absurdas, enquanto as emissoras comerciais deitam e rolam em cima do povo e do governo”, afirmou Cândido.

Por Agencia abraço

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Os desafios para a regularização das rádios comunitárias e a aplicação jurídica

No Brasil, as rádios comunitárias desempenham um papel essencial na promoção e construção de informação diversificada voltadas para as comunidades em que atuam. Estas, normalmente, estão localizadas em regiões distantes dos grandes centros urbanos — e muitas vezes marginalizadas: comunidades rurais, indígenas, caiçaras e favelas, onde aparecem como um espaço que possibilita a participação e interação social a partir de experiências locais. Além da restrição legal para funcionar com potência limitada — máximo de 25 Watts — que alcança apenas pequenas comunidades ao redor e outras limitações que afetam o seu funcionamento, as rádios comunitárias sofrem ainda com restrições que passam pela face mais dura do Estado: o direito penal.

Este é o caso da Rádio Comunitária Coité FM, localizada na cidade de Conceição de Coité, no interior da Bahia. No último dia 8 de março, Zacarias de Almeida, mais conhecido como Piter Junior, radialista e ex-diretor da Associação Rádio Comunitária Coité Livre FM, foi condenado pela juíza Karin Almeida Weh de Medeiros, da Justiça Federal da Bahia, à pena de dois anos de detenção (convertida em serviços comunitários) e a pagar uma multa por ter mantido a rádio no ar sem autorização do Ministério das Comunicações.

Na sentença, a juíza não considerou que a Rádio Coité busca se regularizar há mais de 15 anos junto ao Ministério das Comunicações e o fato de que o funcionamento da rádio não causava nenhum dano ou interferência a outros sinais de radiodifusão. A condenação de Piter é mais um exemplo do tratamento desproporcional que muitos radiodifusores comunitários sofrem por exercer o direito à liberdade de expressão.

A criminalização das rádios comunitárias, contudo, representa grave violação à liberdade de expressão e contraria os padrões internacionais que tratam sobre o tema.

Sabe-se que a liberdade de expressão e informação são elementos essenciais dos sistemas democráticos e por isso faz-se tão importante preservá-los e sempre impulsioná-los para que os sistemas democráticos, muitas vezes frágeis, não retrocedam a regimes autoritários.

Por esse motivo, a Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em seu relatório anual de 2014, reforçou que o uso do direito penal para sancionar violações ao regime de radiodifusão é problemático ante a Convenção Americana de Direitos Humanos. Sancionar criminalmente o exercício de radiodifusão, seja comunitária ou comercial, é uma reação desproporcional do Estado, ressalta a Relatoria[1].

Os mecanismos internacionais apontam que devem ser utilizadas medidas menos gravosas à liberdade de expressão para responsabilizar eventual ilícito na prática de radiodifusão, tais como sanções administrativas ou civis. A própria Comissão Interamericana de Direitos Humanos já declarou que muitas vezes a proteção por vias penais de certos direitos em detrimento da liberdade de expressão são medidas desnecessárias e desproporcionais, tendo em vista que o uso do processo penal tem o forte e inibidor efeito de silenciar vozes essenciais ao debate sobre assuntos de interesse social e público.

Segundo o consagrado teste das três partes do artigo 19.3 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, promulgado pelo Brasil em 1992, o exercício da liberdade de expressão só pode ser sujeito a restrições expressamente previstas em lei e que sejam necessárias em um Estado democrático para proteção dos direitos e da reputação de outros, da segurança nacional, da ordem, da saúde ou da moral pública.

O rol limitado de exceções em que se considera legítimo restringir a liberdade de expressão se justifica pois sem a possibilidade de emitir opiniões, receber informações e se expressar livremente é impossível o exercício da cidadania. Assim, para proteger o direito à liberdade de expressão os principais instrumentos internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil são a Declaração Universal dos Direitos Humanos (artigo 19), o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (artigo 19) e a Convenção Americana de Direitos Humanos (artigo13).

O uso do Direito Penal como forma de restringir de forma ilegítima a liberdade de expressão das rádios comunitárias, entretanto, tem sido a regra adotada pelo Estado Brasileiro. Com o objetivo de compreender como se dá a judicialização das questões ligadas às rádios comunitárias no Brasil, a ARTIGO 19 realizou em 2011 uma pesquisa nos Tribunais Regionais Federais (TRF’s) das 5 regiões. Foram analisados 328 acórdãos julgados entre 01 de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2010. [4]

A pesquisa evidenciou uma predominância de processos de natureza criminal contra as rádios comunitárias e viu-se pouquíssimos debates em torno da função essencial à liberdade de expressão que tais rádios representam. Dos 328 acórdãos, 152 eram de natureza penal, enquanto que 98 eram de natureza civil, 32 de natureza administrativa e o restante discutia aspectos tanto cíveis, como administrativos e constitucionais.

Constatou-se também que há nos TRFs divergências quanto à legislação penal a ser aplicada aos radiodifusores comunitários. Isto porque existem dois dispositivos penais semelhantes que determinam penas diferentes para o exercício clandestino de telecomunicação: o artigo 70 da  Lei 4.117 de 1962, que institui o Código Brasileiro de Telecomunicações, e que estabelece pena de 1 a 2 anos, aumentada da metade se houver dano à terceiro, e o artigo 183 da Lei 9.427/97-  a Lei Geral de Telecomunicações (LGT), que estabelece pena de 2 a 4 anos, aumentada da metade se houve dano a terceiro.

Em alguns TRFs o artigo 183 da LGT é aplicado pois há o entendimento de que, por ser mais recente, ele revogou o dispositivo anterior. Foi com base neste  artigo que Piter Júnior, da Rádio Coité, foi denunciado pelo Ministério Público e condenado pela Justiça Federal da Bahia. Em outros TRFs o entendimento é o de que se deve ser aplicar o artigo 70 do Código Brasileiro de Telecomunicações por disciplinar sanção mais amena aos radiodifusores que estiverem operando rádio comunitária sem as devidas autorizações.

Uma corrente minoritária, no entanto, entende que as rádios comunitárias não devem ser regidas por leis penais visto que configura somente ilícito administrativo, não se aplicando nenhum dos dispositivos citados anteriormente, já que desde 1998 existe regulamentação específica que determina o exercício das rádios comunitárias no Brasil (Lei 9.612 de 1998), trazendo apenas sanções administrativas em caso de ilícito. Dessa forma entendem que somente irão aplicar-se sanções penais nos casos de rádios clandestinas (rádios comerciais sem outorga) e não rádios comunitárias, que são aquelas que se caracterizam pela baixa potência do rádio transmissor, pelos seus fins sociais e não lucrativos.

Entendimento similar foi encontrado em decisão do Supremo Tribunal Federal que defendeu a sub-rogação das leis penais contra as rádios comunitárias tendo em vista a adesão do Brasil ao Pacto dos Direitos Civis e Políticos. Tal fato implicaria na necessidade de proteger a liberdade de expressão quando em conflito com outros direitos (RE 556817 AgR, Relator(a): Ministro Eros Grau, 2ª Turma, julgado em 28/04/2009, DJe-099 DIVULG 28-05-2009 PUBLIC 29-05-2009 EMENT VOL-02362-08 PP-01517).

Decisões favoráveis às rádios comunitárias, no entanto, não são a regra nos tribunais inferiores, prevalecendo ainda a aplicação dos dispositivos penais, o que contraria inclusive posicionamentos recentes do STF, que tem aplicado em diversas ocasiões o princípio da insignificância. O entendimento é o de que não  há ofensividade na conduta ou mesmo remota possibilidade destas rádios de baixa potência causarem prejuízos para outros meios de comunicação. [5]

Apesar do princípio da insignificância estar sendo cada vez mais adotado pelos ministros do STF, os TRFs e juízes de primeira instância continuam desconsiderado a baixa ofensividade da conduta para julgar ações penais contra rádios comunitárias.

No caso da rádio Coité, a própria Anatel em seu laudo técnico reconhecia que a rádio não causava nenhuma interferência prejudicial e nem risco à operação de qualquer outra atividade. Mesmo assim, a juíza condenou Piter criminalmente por entender que “a ausência de concreta potencialidade lesiva dos equipamentos utilizados na atividade de radiodifusão não serve à descaracterização do crime”, uma vez que seria um crime que independe de qualquer resultado naturalístico (crime de perigo abstrato ou crime formal), na contramão do entendimento da cúpula do Judiciário. [6]

Além disso, nas decisões analisadas na pesquisa, verifica-se que pouco se ventila a respeito da função social que as rádio comunitárias exercem, de levar informações de utilidade pública para as comunidades em que se inserem (como campanhas de vacinação, por exemplo), ou sobre a sua importância para a liberdade de expressão e participação social. A maioria das decisões é padronizada e pouco analisam sobre a realidade das rádios e de suas comunidades.

Isto demonstra o viés criminalizador que o poder público trata estas rádios e a não observância aos padrões internacionais que garantem a liberdade de expressão.

Excessiva demora
A fim de promover o exercício do direito à liberdade de expressão por meio das rádios comunitárias, as Relatorias Especiais da ONU, OEA, AU, e OSCE já enfatizaram que “a radiodifusão comunitária deve estar expressamente reconhecida na lei como uma forma diferenciada de meios de comunicação, deve beneficiar-se de procedimentos equitativos e simples para a obtenção de licenças, não deve ter que cumprir com requisitos tecnológicos ou de outra índole severos para a obtenção de licenças, deve beneficiar-se de tarifas de concessionária de licença e deve ter acesso a publicidade” [3].

Contudo, um dos maiores problemas que as rádios comunitárias enfrentam para regularizar a sua situação e evitar os processos criminais é a excessiva demora e burocracia por parte do Ministério das Comunicações em analisar os pedidos de outorga feito por elas. Isto explica, em parte, porque muitas dessas rádios iniciam suas atividades antes da análise dos pedidos, que chegam a ultrapassar uma década.

A Rádio Coité possui um histórico especialmente emblemático nesse aspecto, pois busca a sua regularização há quase 20 anos. O primeiro pedido de outorga feito pela rádio em 1999 foi somente analisado pelo Ministério das Comunicações(MiniCom) em 2009, quando foi informada que novo pedido deveria ser encaminhado por suposto erro nas coordenadas geográficas.

Após o arquivamento, mais dois pedidos de outorga foram feitos para regularizar a situação da rádio. O último, feito em 2013, teve o seu arquivamento anunciado no início desse ano sob a justificativa de que a rádio já estava no ar enquanto aguardava a autorização. A Rádio Coité recorreu dessa decisão alegando que passou a funcionar devido à omissão do Ministério em analisar o pedido de outorga e aguarda até o momento resposta.

Neste aspecto, a pesquisa realizada pela ARTIGO 19 revela que há entendimento comum em todos os TRFs quanto à impossibilidade do Judiciário intervir diretamente na concessão de outorga às rádios comunitárias diante da demora e omissão do Executivo, uma vez, que caso interviesse, haveria invasão da competência do MiniCom por parte do Judiciário. Os TRFs entendem, no entanto, que o  Judiciário poderia fixar um prazo para que os pedidos fossem analisados.

Esse foi o pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça que evidenciou a configuração de abuso de direito em hipótese de demora injustificada do MiniCom na análise do pedido de outorga: “é fato que a análise dos requisitos para a outorga da autorização de funcionamento de rádio comunitária não pode perdurar por tempo indeterminado, situação que configuraria verdadeira deferência ao abuso de direito, devendo ser fixado prazo para a completa análise do pedido formulado administrativamente”[7].

Este quadro apresentado demonstra que urge ao Estado brasileiro modificar sua forma de tratamento às rádios comunitárias, a fim de concretizar os compromissos internacionalmente firmados para a garantia da liberdade de expressão. Para isso, deve de um lado, facilitar e responder em um prazo razoável aos pedidos de outorga, criar políticas públicas de fomento e incentivo às rádios comunitárias; e de outro, não se utilizar do direito penal para criminalizar as rádios comunitárias que aguardam indefinidamente o resultado de seus pedidos.



  Por Camila Marques, Karina Quintanilha e Pedro Teixeira

segunda-feira, 22 de junho de 2015

FNDC discute comunicação com Ministério da Cultura


Escrito por: Elizângela Araújo/Fotos: Janine Moraes/MinC

O ministro Juca Ferreira recebeu representantes do Fórum nesta terça (16/6). Edital dos Pontos de Mídia Livre deverá ser lançado no início de julho

Matéria reeditada às 7h31 de 18/6

Representantes do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) se reuniram com o ministro Juca Ferreira, da Cultura, nesta terça (16/6), para apresentar agenda do movimento pela democratização da comunicação. Após breve apresentação do Fórum, que reúne mais de 300 organizações da sociedade civil, o grupo pontuou questões comuns às agendas da comunicação e da cultura e reivindicou ao ministro que atue junto ao governo para articular um espaço de diálogo permanente com esse setor da sociedade. O FNDC também solicitou atuação da pasta em ações de fortalecimento da comunicação pública e falou sobre a necessidade de articular o Canal da Cultura, previsto no Decreto 5.820/06.

Entre os vários pontos comuns entre as agendas da comunicação e da cultura, o Plano Nacional de Cultura (PNC) trata de três deles: a Meta 23, que prevê 15 mil Pontos de Cultura em funcionamento no país, compartilhados entre o governo federal, as Unidades da Federação (UF) e os municípios integrantes do Sistema Nacional de Cultura (SNC); a Meta 43, que prevê um núcleo de produção digital audiovisual em cada estado, e a Meta 45, que estabelece benefícios a 450 grupos, comunidades ou coletivos para ações de comunicação.

Sobre a Meta 23, o Ministério da Cultura (MinC) deverá lançar o edital Pontos de Mídia Livre no início de julho, e não mais na próxima segunda-feira (22/6), como havia nos informado inicialmente o ministro. Os pontos são uma forma de descentralizar a produção da comunicação. "As mídias alternativas empoderam a população na medida em que possibilitam que ela produza seus próprios conteúdos. Por isso vemos com otimismo esse novo edital que o MinC lançará nos próximos dias", observou Orlando Guilhon secretário de Organização do FNDC.

Canal da Cultura

O FNDC também expôs ao ministro a preocupação em relação ao modelo do Canal da Cultura, previsto no Decreto 5.820/06 (define o padrão de TV digital no Brasil e estabeleceu diretrizes para a transição do sistema analógico). Bia Barbosa, secretária de Comunicação do Fórum, afirmou que a sociedade espera que seja um canal “de fato público”. “Ainda existe uma confusão entre o que seriam os sistemas público e estatal de radiodifusão. Prova disso é o modelo no qual foi concebido o Canal da Educação, lançado no mês passado, que terá programação produzida por entes estatais, como o Ministério da Educação e as secretarias municipais e estaduais de Educação”.

Sobre esse ponto, especificamente, o assessor especial do ministro, Adriano de Angelis, afirmou que o MinC vem construindo os eixos do canal de forma a garantir que o canal seja regulamentado como público, com participação da sociedade.

Diálogo permanente

A coordenadora-geral do Fórum, Rosane Bertotti, explicou a Ferreira que a entidade vem atuando fortemente junto a outros ministros, como Ricardo Berzoini (Comunicações), Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) e Miguel Rosseto (Secretaria-Geral da Presidência da República), para buscar a construção de uma mesa de diálogo permanente. “Nossa principal agenda é a construção de um novo marco regulatório para o setor da comunicação, mas não é a única. A comunicação envolve vários setores do governo e requer iniciativas que independem de regulação geral, e temos acúmulo e propostas para propô-las e discuti-las, por isso consideramos estratégico o estabelecimento desse canal de comunicação, inclusive com a presença do MinC”, ressaltou Rosane.

Bia Barbosa reforçou a reivindicação lembrando ao ministro que a política pública de comunicação é demasiadamente fragmentada no Brasil.

Fortalecimento da comunicação pública

O FNDC também falou sobre a necessidade de maior compromisso com o fortalecimento das emissoras do campo público de comunicação, pontuando a necessidade do MinC intensificar sua presença no Conselho Deliberativo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), inclusive cobrando da Presidência da República a nomeação de cinco conselheiros eleitos há mais de um ano. Na conversa, também se falou sobre a necessidade de mudança nos critérios de distribuição das verbas oficiais de publicidade para garantir maior pluralidade e diversidade na mídia brasileira.

Retomada de diálogo com o MinC



A reunião com o ministro representou a retomada do diálogo entre o movimento, que tem como principal pauta a construção de um novo marco regulatório para a comunicação, e o MinC, que nas duas últimas gestões não mostrou interesse em fazer uma interlocução com esse setor da sociedade. Rosane Bertotti explicou a Ferreira que a entidade reúne mais de 300 organizações e que ao longo dos últimos 20 anos vem atuando na busca de uma política de comunicação capaz de garantir o direito humano à comunicação para todos os brasileiros, além de apresenta-lo o projeto Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Comunicação Social Eletrônica (Lei da Mídia Democrática).
Também foi entregue ao ministro uma cópia da Carta de Belo Horizonte, aprovada durante o 2º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação, em abril; e a Plataforma pelo Fortalecimento da Comunicação Pública no Brasil. Além de Rosane Bertotti, Bia Barbosa e Orlando Guilhon, também participaram da audiência o secretário-executivo do Fórum, Pedro Rafael Vilela, e os assessores especiais do ministro Adriano de Angelis e Gabriel Portela.

Por FNDC

quarta-feira, 17 de junho de 2015

EUA, Alemanha e Reino Unido limitam concentração da mídia


Escrito por: Elizângela Araújo/Fotos: Antônio Augusto, Câmara dos Deputados

Comparando o cenário nacional ao de outras democracias do mundo, estamos décadas atrasados no debate sobre o estabelecimento de limites à propriedade e controle das empresas de mídia

Os projetos de lei 4.026/04 e 6667/09, debatidos em audiência pública sobre limites à concentração econômica dos meios de comunicação na Câmara dos Deputados, nesta quinta (11/6), regulamentam o Art. 220 da Constituição Federal. O dispositivo constitucional estabelece que é livre a manifestação de pensamento, a criação, a expressão e a informação, especificando, em seu Parágrafo 5º, que os meios de comunicação não podem ser objeto de monopólio ou oliogopólio, direta ou indiretamente.

Comparando o cenário nacional ao de outras democracias do mundo, estamos décadas atrasados no debate sobre o estabelecimento de limites à propriedade e controle das empresas de mídia. Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, por exemplo, possuem mecanismos legais que impedem o que hoje acontece no Brasil: uma concentração brutal do mercado de radiodifusão.

Estados Unidos

A regulação do setor de comunicação nos Estados Unidos, berço do Liberalismo, obriga a Comissão Federal de Comunicações (FCC, por sua sigla em inglês), órgão regulador do mercado, a rever as regras relativas à concentração econômica no setor a cada quatro anos. Lá, um mesmo grupo não pode deter mais que 39% da audiência dos domicílios. Além disso, estão proibidas fusões entre as quatro principais redes: ABC, CBS, Fox e NBC. O país não permite a propriedade cruzada como temos no Brasil. "Ela é permitida apenas no caso de emissoras locais, porém, com limites que variam conforme o número total de emissoras independentes existentes no mercado local. "Quanto mais estações, maior é o número de emissoras que podem pertencer a um mesmo grupo", complementa Octávio Pieranti, assessor da Secretaria Executiva do Ministério das Comunicações (MiniCom).

Pieranti apresentou um quadro comparativo para contextualizar os projetos em discussão pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) nos contextos nacional e Internacional. "Obviamente não estamos propondo a simples cópia de leis internacionais para o Brasil, mas é importante contextualizar a discussão para subsidiar o avanço que precisamos fazer no nosso sistema", observou.

Reino Unido

No Reino Unido, o Ofcom, que é o órgão regulador do setor de comunicações, também precisa rever as regras periodicamente, a cada três anos. Na revisão de 2009, embora tenha removido os limites estabelecidos para o total de outorgas de emissoras de rádio locais controladas por um mesmo grupo, o Ofcom manteve regra que permite ao secretário de Estado (ministro) vetar fusões de empresas de mídia. No mesmo ano, o órgão também permitiu a propriedade cruzada, em nível local, desde que um grupo não disponha de um jornal local com mais de 50% do mercado potencial ao mesmo tempo que detenha emissoras de rádio e TV retransmissoras do Canal 3 (principal canal de TV privado do país); por outro lado, manteve impedimento de propriedade cruzada entre o Canal 3 e jornais nacionais, e a separação entre as fontes de financiamento do Canal 3 e da BBC.

A regulação do setor de comunicação do Reino Unido também veta licença de retransmissão do Canal 3 a empresas que controlem um jornal nacional com mais de 20% do mercado. Essas empresas também não podem deter participação superior a 20% em outorga destinada a retransmiti-lo.

Alemanha

Outro país que impõe limites à concentração da propriedade de empresas de mídia é a Alemanha. De acordo com as informações prestadas pelo representante do MiniCom, caso um grupo econômico tenha posição dominante no mercado não pode receber nova licença nem adquirir parte de outra. Além disso, essas emissoras devem veicular mais programação independente e instalar um comitê de assessoramento que permita traçar políticas públicas de garantia do pluralismo. A posição dominante é caracterizada se todos os meios de comunicação da mesma empresa, considerando todas as suas participações, têm audiência anual de 30% do público ou 25% em um mercado relevante.

Para o assessor do MiniCom, a face mais evidente dessas normas internacionais é a tentativa de garantir o pluralismo, de viabilizar à sociedade acesso ao maior número de meios de comunicação. A menos evidente, embora não menos importante, é estimular a competição, permitir que a segunda, terceira ou quarta redes possam não só ter condições de sobrevivência como também expectativas de crescimento, “ou seja, criar um ambiente saudável, do ponto de vista econômico, para que essas empresas possam gerar empregos, movimentar a economia e desenvolver seu trabalho”.


Brasil

O Brasil, historicamente, expediu novas outorgas considerando apenas sua viabilidade técnica. O Ministério das Comunicações e os órgãos reguladores que o antecederam avaliavam se havia um canal disponível naquela cidade e outorgavam, ou não, de forma discricionária, a emissora.

Segundo Pieranti, não foram feitas análises sobre a capacidade dos mercados locais responsáveis por sediar as novas emissoras. Ou seja, determinado mercado é capaz de abarcar uma nova emissora comercial? O contexto local justifica uma nova emissora? Não se fazia essas análises. "Agora é que a gente começa a deflagrar um processo, muito vinculado a demanda do Tribunal de Contas da União (TCU), que tem a obrigação de enfocar aspectos econômicos no que se refere a novas outorgas."

CCTCI ainda não recolocou propostas em votação

Os projetos de lei 4.026/04 e 6667/09 ainda não têm data para voltar à pauta da Comissão de CCTCI. A recolocação das propostas na pauta da comissão é uma prerrogativa do presidente, deputado Fábio Sousa (PSDB-GO), que não participou da audiência pública. Por telefone, a secretaria da comissão informou que pelo menos na pauta da próxima reunião não foi incluída a apreciação das propostas.

Audiência pública

A audiência pública foi requerida pela deputada Luiza Erundina (PSB-SP) após o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), relator dos projetos de lei 4.026/04 e 6667/09, ter emitido parecer contrário à sua aprovação. Além de Pieranti, também participaram o FNDC, representado por Bia Barbosa; Ana Carolina Lopes de Carvalho, assessora da presidência do Cade; e Murilo César Ramos, coordenador do Laboratório de Políticas de Comunicação (LapCom) da Universidade de Brasília (UnB). A reunião foi presidida pelo deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP).

Por FNDC

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Mídia impulsiona conservadorismo no país

3º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná discutiu, neste final de semana, a atuação partidária da mídia e a urgência de uma regulação para o setor

“A mídia não é um partido. A mídia é uma gangue, é formação de quadrilha”. A frase é do jornalista Palmério Dória, um dos debatedores do 3º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná. Além dele, o conselheiro da TeleSur Beto Almeida e a secretária-geral do Barão de Itararé Renata Mielli falaram, neste sábado (13), sobre o poder sem limites da mídia hegemônica brasileira e a luta pela democratização do setor.

Resgatando episódios da trajetória de Getúlio Vargas, Palmério Dória opina que a mídia brasileira promove golpes diários contra a democracia, distorcendo os fatos e construindo uma narrativa que reflete o caráter conservador e antidemocrático das classes dominantes. “Basta estudar a história de clandestinidade dos partidos de esquerda, sempre criminalizados por famílias que são, justamente, as donas da mídia”.

Parafraseando Lima Barreto, que 100 anos atrás tachou os donos da mídia como uma ‘gangue’, Palmério Dória lamentou a inércia dos governos Lula e Dilma Rousseff em enfrentar o que hoje já se tornou ‘formação de quadrilha’. “Somos cúmplices dos grandes meios de comunicação. O que podemos fazer diante desse quadro? Chorar o leite derramado?”, questiona. “Se não nos reunirmos em associações livres, como o movimento dos blogueiros e ativistas digitais, seremos esfarinhados”.

A hesitação em enfrentar a pauta, na avaliação de Beto Almeida, virou uma armadilha para o próprio governo. “No Brasil, com a publicidade oficial massiva injetada nos grandes meios, o governo paga para apanhar. A ação depende da postura do Executivo, mas boa parte da bancada parlamentar é ou deseja ser concessionária de meios de comunicação, ou então teme ser destruída por eles”.

A pauta da democratização da mídia, segundo ele, é uma pauta proibida. Exemplo disso são as declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de que a regulação do setor ‘só passa por cima de seu cadáver’. “Autoridades públicas afrontam a própria Constituição, quando deveriam zelar por ela. Regular a mídia não é um capricho dos movimentos sociais, é algo previsto na carta magna”, defende.

“É possível ter projetos como tiveram Hugo Chávez, Rafael Correa, Cristina Kirchner e Evo Morales”, acredita. “Falta, sim, iniciativa do Executivo. Cristina Kirchner, por exemplo, com uma simples canetada, concedeu uma rádio para as mães da Plaza de Mayo”. Enquanto permanece sem leis e limites no Brasil, “a mídia se transforma, radicalmente, em praticante de um discurso fascista, que destila ódio sobre a sociedade”, sintetiza.

Caminhos para uma mídia democrática

Secretária-geral do Barão de Itararé e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Mielli argumenta que o avanço do conservadorismo, “retomado com uma virulência assustadora”, é extremamente impulsionado pela grande mídia. Por outro lado, acrescenta, o cenário de regressão e intolerância é fruto do não-enfrentamento da questão.

“Regular a mídia é garantir, a todos e todas, a liberdade de expressão, hoje restrita às seis ou sete famílias encasteladas nos grandes meios de comunicação”, diz. “Os donos da mídia pertencem ao mesmo setor de uma elite política e econômica, com interesses muito distintos do interesse público e dos interesses nacionais”.

Nos últimos anos, opina Mielli, houve uma elevação do tom oposicionista da grande imprensa. “Não é só em relação aos governos de Lula e Dilma Rousseff”, aponta. “A mídia sabota qualquer pauta que promova o crescimento e o desenvolvimento do país”, diz.

Os avanços do governo no campo dos direitos sociais, como o acesso à moradia e ao ensino superior ou a superação da fome, não se sustentam sem encarar a discussão sobre democratização da comunicação, conforme Mielli. “É uma visão no mínimo inocente imaginar que é possível construir um projeto democrático e popular em aliança com o consórcio dos meios de comunicação”. Para ela, há uma oposição sistemática e articulada entre praticamente todos os grandes meios de comunicação. “Com a polarização acentuada dos projetos para o país, o papel antidemocrático da mídia foi ficando cada vez mais claro. Com isso, os movimentos sociais começaram a dar mais atenção para essa luta”.

O Projeto de Lei da Mídia Democrática, de Iniciativa Popular, é a ferramenta ideal para intensificar a pressão e forçar o debate sobre o tema. “O ‘PLIP’está aí para materializar as dezenas de demandas que existem no movimento pela democratização da comunicação. Desafio qualquer agente político, econômico e midiático a apontar um ponto sequer no Projeto de Lei que afronte a liberdade de expressão e de imprensa ou configure censura”, afirma.

Para ilustrar a força crescente do movimento, Mielli lembra que o 2º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação, realizado no mês de abril, em Belo Horizonte, reuniu 700 ativistas para discutir exclusivamente o tema da democratização da mídia – algo inédito no país.

“É preciso criar mecanismos de fomento à blogosfera, aos coletivos de comunicação e às mídias alternativas”, argumenta a jornalista. “Esses novos atores midiáticos têm papel fundamental para promover o debate, a disputa e estabelecer um contraponto sobre o tema, além de fortalecerem a democracia brasileira".

Por FNDC

sábado, 13 de junho de 2015

Na Câmara, FNDC critica mídia monopolista

Por Elizângela Araújo, no site do FNDC:

A formação de cadeias e de redes conglomeradas a partir de emissoras afiliadas e associadas é hoje um dos principais mecanismos de concentração da propriedade dos meios de comunicação no Brasil. Apesar de proibidas pelo Decreto-Lei 236/67 (Art. 12), grandes redes de mídia vêm se beneficiando dessa prática para controlar o mercado da comunicação. O exemplo mais conhecido é das Organizações Globo, que apesar de ter apenas cinco emissoras registradas sob seu CNPJ, possui 117 emissoras afiliadas e controla 70% do mercado nacional.

A situação foi ressaltada pela secretária de Comunicação do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e coordenadora-geral do Coletivo Intervozes, a jornalista Bia Barbosa, na audiência pública que debateu limites à concentração econômica dos meios de comunicação pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados. Realizada na manhã desta quinta (11/6), a reunião foi requerida pela deputada Luiza Erundina (PSB-SP) após o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), relator dos projetos de lei 4.026/04 e 6667/09, ter emitido parecer contrário à sua aprovação.

Como “cabeça” do sistema, Globo, Record, SBT e outras emissoras têm poder absoluto para decidir que programação deve ser transmitida simultaneamente por todas as afiliadas. “O poder das “cabeças” é tão grade que elas decidem, inclusive, a programação que suas afiliadas e associadas devem exibir durante a “janela” de programação local, que equivale a cerca de 15% da programação total”, observou Bia. “Apesar do Decreto-Lei 236/67 proibir a formação dessas cadeias, o Ministério das Comunicações (MiniCom), pelo que temos acompanhado, não tem atuado para cumpri-lo”, denunciou.

Bia citou dados levantados pela própria CCTCI, referentes ao ano de 2013, que já mostravam, naquela época, que a Rede Globo tinha 79 emissoras afiliadas, enquanto sua maior concorrente, a Record, tinha 25. “Nos últimos anos a situação só evoluiu. Isso mostra que mesmo defasada e limitada a legislação existente cumpriria um papel mínimo se fosse respeitada, mas não vem considerada nem para fins de renovação dessas outorgas nem para fins de atuação do Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica]. Então, se não enfrentarmos, no debate sobre regulação econômica dos meios de comunicação no Brasil, a questão de limites à formação de redes e cadeias associadas, a gente vai enxugar gelo”, ponderou.

Propriedade cruzada e limites à audiência

A concentração do mercado de comunicação também se dá por meio da propriedade cruzada e da falta de mecanismos que imponham limites à audiência de uma emissora, das quais trata o Projeto de Lei 6667/09, de autoria do deputado Ivan Valente (PSol-SP). Nos Estados Unidos, por exemplo, a regulação do setor trata dessas questões desde 1943. "Estamos pelo menos 70 anos atrasados", observou Bia. Alemanha, França e Reino Unido também contêm mecanismos que limitam tanto a audiência como impedem a propriedade cruzada.

A representante do FNDC afirmou que os grupos empresariais que controlam o mercado de mídia no Brasil não querem se submeter a nenhuma regra e, por isso, distorcem o significado da regulação. Ela ressaltou que não é preciso que uma empresa ou um grupo empresarial controle 100% de um setor econômico para que o monopólio seja caracterizado. “Nosso cenário é de uma única empresa controlando 70% do capital do setor. As principais concorrentes da Globo não obtêm sequer o equivalente a 10% do seu lucro. Isso é monopólio!”, reafirmou Bia.

Outro parâmetro de concentração é o controle que a Globo e suas emissoras detêm sobre a verba publicitária nacional. Em 2009, segundo Bia, a média de audiência dos veículos das Organizações Globo não chegava a 45%, mas ela já concentrava mais de 70% das verbas publicitárias do mercado. "Então, tanto do ponto de vista da formação de redes e da concentração da propriedade quanto do ponto de vista da captação de receita por meio de verbas publicitárias a gente tem um quadro de brutal concentração que, por sua vez, caracteriza monopólio".

Propostas devem ser postas em votação

O FNDC defendeu, ainda, a aprovação dos projetos de lei 4.026/04 e 6667/09 pela CCTCI, apesar do parecer contrário do relator. A recolocação das propostas na pauta da comissão é uma prerrogativa do presidente, deputado Fábio Sousa (PSDB-GO), que não participou da audiência pública. Por telefone, a secretaria da CCTCI informou que pelo menos na pauta da próxima reunião não foi incluída a apreciação das propostas.

Nova lei geral

Bia Barbosa afirmou que o FNDC luta por uma nova lei geral que regule o setor de comunicação há mais de 20 anos e que é preciso que o Brasil atualize o Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei 4.117/62). “Estamos ansiosos para que o MiniCom lance esse debate com a sociedade civil brasileira. Agora, não é porque esse debate não avançou que essa Casa não pode avançar fazendo a regulamentação dos artigos da Constituição Federal pertinentes ao tema. Os projetos em debate aqui regulamentam pelo menos um deles, que é o Art. 220, por isso fica nosso apelo para que sejam aprovados”.

A jornalista ressaltou que a sociedade civil quer fazer esse debate e tem propostas para isso. “Temos um projeto de lei de iniciativa popular desde 2013, para o qual diversas entidades vêm coletando assinaturas em todo o país. Nosso projeto também prevê o combate da concentração de propriedade por meio da limitação à formação de redes e à propriedade cruzada, mas é importante que o Ministério das Comunicações também entre nesse debate com um projeto de lei que possa ser debatido publicamente para que possamos avançar nesse tema”.

A audiência pública também teve a participação de Octávio Pieranti, do Ministério das Comunicações; Ana Carolina Lopes de Carvalho, assessora da presidência do Cade; e Murilo César Ramos, coordenador do Laboratório de Políticas de Comunicação (LapCom) da Universidade de Brasília (UnB). A reunião foi presidida pelo deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP).

Por Altamiro Borges

sexta-feira, 12 de junho de 2015

"A rede torna mais difícil a opressão", diz Manuel Castells

Pensador espanhol fala do potencial libertário da internet e da nova sociedade global

Sociólogo, docente em instituições como a Universidade Aberta da Catalunha, em Barcelona; a Universidade de Berkeley, na Califórnia, e o Massachusetts Institute of Technology (MIT), o espanhol Manuel Castells é o pensador de um mundo hiperconectado. Castells foi um dos teóricos a verem mais longe e com mais clareza as transformações inevitáveis que viriam na esteira de uma sociedade em que todos estão em contato constante, mudando, assim, a própria dinâmica das relações entre o local e global. Por e-mail, o convidado desta segunda-feira no Fronteiras do Pensamento concedeu a seguinte entrevista a Zero Hora.

Manuel Castells apresenta conferência nesta segunda-feira no ciclo Fronteiras do Pensamento



Zero Hora – O senhor já discutiu o conceito de "informalidade global", referindo-se ao modo de produção e ao trabalhador flexíveis, e à descentralização administrativa, à individualização e à horizontalização das hierarquias. Como o senhor percebe, hoje, a "informalidade global" na organização da sociedade contemporânea?

Manuel Castells – Capitalismo é um conceito muito genérico. Para determinar um contexto, temos que definir que tipo de capitalismo, quando e onde. A informalidade não é global, mas específica de um contexto institucional. São informais as atividades que operam fora da regulamentação existente em um determinado contexto. O que é informal em uma sociedade pode não ser em outra. A flexibilidade é diferente. É uma forma de organização das empresas e das administrações. Os regimes de trabalho flexíveis, a individualização das condições de trabalho e da estrutura da rede de negócios e processos de trabalho são o que caracteriza as novas formas de produção de nosso tempo. Enquanto ainda há trabalho em linhas de produção padronizadas, tudo o que pode ser automatizado está sendo e, portanto, o que sobrevive é a prestação individualizada e insubstituível.

ZH – Seu conceito de "sociedade em rede" ganhou novas nuanças devido ao fenômeno das redes sociais e à cultura colaborativa da internet?

Castells – Propus, em 1996, o conceito de sociedade em rede para caracterizar a estrutura social emergente na era da informação, substituindo gradualmente a sociedade da era industrial. A sociedade em rede é global, mas com características específicas para cada país, de acordo com sua história, sua cultura e suas instituições. Trata-se de uma estrutura em rede como forma predominante de organização de qualquer atividade. Ela não surge por causa da tecnologia, mas devido a imperativos de flexibilidade de negócios e de práticas sociais, mas sem as tecnologias informáticas de redes de comunicação ela não poderia existir. Nos últimos 20 anos, o conceito passou a caracterizar quase todas as práticas sociais, incluindo a sociabilidade, a mobilização sócio-política, baseando-se na Internet em plataformas móveis.

ZH – Nos primeiros dias da Internet comercial, muito se discutiu o risco à privacidade na sociedade conectada. Hoje, dados pessoais, histórico de navegação na web e até mesmo mensagens individuais são ferramentas orientadas de marketing. A privacidade tornou-se um produto de mercado?

Castells – Obviamente, na era da internet, não há mais privacidade, ainda que seja necessário continuar protegendo-a com leis. Os governos interferem legalmente ou ilegalmente na rede, as empresas utilizam os dados pessoais e os vendem, e quem pode inteirar-se da vida dos outros por meio da rede o faz. O que é novo é que antes só o poder podia espionar, e agora, qualquer cidadão com um celular pode gravar os poderosos. E, realmente, os dados pessoais são mercadorias e as empresas de internet prestam serviços que são pagos com dados pessoais. Existem hoje no Vale do Silício pequenas empresas inovadoras que protegem dados pessoais em troca de poderem vendê-los eles próprios com melhores condições de privacidade.

ZH – O senhor já disse em entrevistas anteriores que falta interesse político aos governos para efetivar um controle dos mercados financeiros. O senhor acha que algo mudou nesse sentido depois da crise de 2008?

Castells – A gestão da crise de 2008 mostrou que os governos ao redor do mundo estão decisivamente influenciados pelas financeiras. E, como as instituições financeiras operam melhor em uma situação de desregulamentação total, as barreiras para o controle do Capital estão aumentando. Os países do G-20 não chegaram a um acordo, e os esforços da União Europeia para impor a taxa Tobin seguem fracassando. Além do mais, os paraísos fiscais, onde se pratica a evasão fiscal das grandes multinacionais, continuam sem controle efetivo por parte das instituições internacionais.

ZH – A internet é aclamada como uma ferramenta para a expressão democrática, mas permanece sob controle e censura em países como China e Irã. Uma ditadura com o necessário grau de persistência e recursos pode controlar o potencial literário da rede?

Castells – Definitivamente não. A rede não garante a liberdade, mas torna mais difícil a opressão. A censura permite identificar e punir o mensageiro, mas não pode deter a mensagem. No Irã, em 2009, em condições de censura total, houve um movimento democrático muito forte que, apesar de reprimido, deixou sementes de rebelião que voltaram a se manifestar. Na China, têm havido milhares de revoltas populares nos últimos tempos e, em janeiro de 2013, houve uma ampla mobilização na internet e nas ruas de Guangzhou para defender com sucesso a liberdade de expressão da revista Southern Weekly.

ZH – Em recente visita a Porto Alegre, Slavoj Zizek disse, a respeito de movimentos como o Occupy Wall Street: "quando se tem revolta e não há um projeto de esquerda aceito pelas pessoas, a vitória é da direita radical." Os movimentos sociais da sociedade em rede tem projeto de longo prazo?

Castells – Essa é uma concepção velha de política, a de que sem vanguardas, líderes e programas não há eficácia. Movimentos sociais em rede, característicos do nosso tempo, rejeitam tais fórmulas políticas porque, de acordo com eles, reproduzem o mesmo modelo antidemocrático de representação, seja de esquerda ou de direita. Não são movimentos para defender um programa, e sim para mudar a sociedade e a política. Seu projeto está sempre em desenvolvimento, pois para eles o processo (ou seja, a deliberação democrática e ampla na rede e nas ruas) é o produto. Os movimentos existem no espaço público do ciberespaço e no espaço público urbano. Quando a repressão é forte, buscam refúgio na rede e depois voltam a emergir sob novas formas. Por isso eu os chamo rizomáticos. Quem menos os compreende são os intelectuais de esquerda, que sempre sonharam em produzir o programa para massas sem consciência, mas esse tempo já passou, porque a consciência é coletiva e coevolui na rede.

ZH – Como a esquerda pode conciliar ideias socialistas com o movimento das massas na sociedade em rede?

Castells – Não pode. Cada tipo de sociedade tem a sua esquerda. E a esquerda atual se formou em uma sociedade que não existe mais, embora a opressão e a exploração continuem existindo. A transformação do sistema político no mundo todo está em curso, como resultado de um processo de mudança gerado na sociedade. E não sabemos qual será sua evolução. A direita não será tão afetada porque sempre defende os interesses dominantes sob diversas formas. Mas a socialdemocracia está desaparecendo porque se supunha que defendia os interesses populares, e agora é aliada das financeiras globais e não defende mais o estado de bem-estar que era sua marca registrada.
Por ZERO HORA

terça-feira, 9 de junho de 2015

Interatividade na TV dos mais pobres ainda é possível?

Escrito por: Elizângela Araújo/Fotos: arquivo, divulgação e Portal Vermelho

Pesquisadora acredita que mobilização social pode garantir modem nos conversores que a Anatel distribuirá aos beneficiários do Bolsa Família

 O anúncio da caixa conversora escolhida pelo Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (Gired/Anatel) para o público beneficiário do Bolsa Família, em meados de maio, não deixou de ser bem recebido por ativistas, estudiosos e militantes sociais que atuam no campo da democratização da comunicação. Por outro lado, a decisão deixou a desejar porque frustrou a possibilidade de garantir a esse público aparelhos com acesso à internet, ou seja, uma interatividade plena.

Mas para a professora e pesquisadora Cosette Castro, da Universidade Católica de Brasília, a sociedade civil organizada ainda pode se mobilizar para garantir a inserção de modem e roteador Wi-FI nos conversores que serão entregues às famílias de baixa renda. “As teles dispõem de R$ 3,6 bilhões de reais oriundos do edital dos 700Mhz. Desse total, R$ 1 bilhão será usado para os transmissores; outro R$ 1 bilhão para as 14,5 milhões de caixas conversoras; e R$ 1,3 bilhão para a campanha publicitária que informará a população sobre o desligamento do sistema analógico. Sobram R$ 300 milhões que poderão ser usados para compor os recursos capazes de incluir o modem nos conversores”, calcula.

O conversor anunciado pelo Gired terá padrão Ginga C (tecnologia nacional desenvolvida a partir do modelo japonês), 512 Kilobytes (Kb) de memória e 2 Gigabytes (Gb) de memória flash, e não virá equipado com roteador Wi-Fi nem modem. Os componentes ausentes (modem e roteador) garantiriam um canal de retorno, por meio do qual o telespectador poderia enviar informações para a emissora, ou seja, além de poder acessar a internet no aparelho de TV, o usuário também teria um aparelho interativo.

Cosette pondera, no entanto, que mesmo sem interatividade plena o modelo anunciado representa um grande avanço. “A possibilidade dessa população passar a ter acesso a serviços públicos mesmo sem acesso à internet é muito positiva”. Ela aposta na multiprogramação que as emissoras públicas poderão adotar como um meio para ofertar serviços como marcação de consultas na rede pública de saúde, divulgar vagas de emprego e oferecer cursos profissionalizantes, por exemplo. “Isso é governo eletrônico, e-Gov, e é muito impactante para a população de baixa renda, principalmente nos lugares mais distantes dos grandes centros urbanos”, observa.

Otimista em relação à multiplicidade de canais que o sinal digital possibilita, a pesquisadora também destaca a geração de empregos ocasionada pela ampliação de serviços, principalmente para os profissionais de tecnologia da informação. “Agora, as tevês públicas precisam encarar esse desafio, fazer conteúdo interativo, oferecer mais canais para a população. Esse debate vai muito além do viés tecnológico. Temos uma imensa oportunidade para elevar a qualidade de vida da população carente por meio da transmissão digital”.

Bia Barbosa, representante do Coletivo Intervozes na Coordenação Executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), considera a escolha do Gired importante porque havia uma disputa interna muito grande. Ela lembra que as teles não queriam garantir sequer o Ginga, que permite a interatividade, mas um conversor mais barato possível, que não possibilitaria nenhuma condição de interatividade e garantiria apenas que a audiência continuasse recebendo o sinal de TV com o desligamento do sinal analógico. O governo, por outro lado, defendia pelo menos o Ginga.

“Nessa queda de braço, o modem, que permitiria um canal de retorno, e o roteador Wi-Fi, ficaram de fora. O resultado é que o beneficiário do Bolsa Família terá que arcar com esses dois componentes que não estarão presentes nas caixinhas que receberão da Anatel. Além disso, também terão que contratar o serviço de internet se não houver serviço grátis de Wi-Fi nas proximidades, e planos de acesso à internet custam caro e configuram uma despesa mensal”, pondera Bia.

A ativista lembra que no início das discussões sobre a implantação da TV digital no país, ainda em 2006, vendeu-se para a sociedade “as maravilhas” do serviço, mas agora ficou claro que a população precisa pagar por ela. “O que o Gired garantiu foi, no máximo, informações extras, como por exemplo a escalação do time durante um jogo de futebol. Para nós, isso não é interatividade, pois o telespectador vai continuar apenas recebendo conteúdo, quando interatividade é uma troca e envolve os dois lados”. Bia também chama a atenção para o fato de que até a qualidade da imagem só vai melhorar para quem tiver uma televisão mais moderna. “Para uma população enorme, que não poderá trocar seus aparelhos de TV, pode nem haver diferença”, destaca.

Avanço tecnológico X avanço político

Alberto Perdigão, professor da Universidade de Fortaleza e autor do livro Comunicação Pública e TV Digital (EdUece, 2010), afirma que o avanço tecnológico deve ser acompanhado de um avanço político. “Não basta a interatividade do e-governo”. Para ele, não falta dinheiro para um conversor capaz de garantir interatividade plena, falta a priorização da interatividade. “Mesmo com a interatividade de nível intermediário assegurada, não será agora que teremos o canal de retorno e a televisão digital como plataforma de acesso à internet”.

Para Alberto, um dos próximos grandes desafios é “embarcar na cabeça” dos gestores de emissoras de televisão do campo público a cultura da comunicação pública e o desejo da interatividade. “Emissoras públicas devem ser caixas de diálogo de uma novíssima esfera pública desintermediada”, defende.

Teles deveriam ser obrigadas a garantir modem

Daniel Fonseca, integrante do coletivo Intervozes e doutorando na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que o governo deveria ter obrigado as teles a embarcar o modem nos conversores. Ele critica o fato das decisões tomadas não terem envolvido a sociedade civil e afirma que desde o inícioda discussão sobre o modelo de TV digital no país houve somente três grandes beneficiados: o setor industrial eletroeletrônico, fabricante de aparelhos de TV; operadoras de telecomunicações e os radiodifusores.

Daniel afirma que a TV digital não é um sujeito histórico que vai resolver o passivo político e social das políticas públicas de radiodifusão no país. "Não é uma caixinha que vai garantir a democratização da comunicação. São as decisões políticas que têm rebates

Por FNDC

segunda-feira, 8 de junho de 2015

CAÇA AO DESPERDÍCIO. JOGOU COMIDA FORA? VAI DIRETO PRA CADEIA

Por Luis Pellegrini

Na França, desperdiçar alimentos tornou-se um crime. Supermercados e distribuidores não mais poderão destruir seus estoques com data vencida ou prestes a vencer. Serão obrigados a doá-los. Novas leis fazem eco às palavras recentes do Papa Francisco: “A cultura do desperdício alimentar é como roubar dos pobres”.
Agora é oficial: a Assembleia Nacional da França aprovou por unanimidade, a 21 de maio último, medidas legais contra o desperdício de alimentos. As leis, num primeiro momento, serão aplicadas contra os supermercados, armazéns  e entrepostos habituados até agora a destruir e jogar fora toneladas de alimentos cuja data de validade venceu ou está perto de vencer. Como em outros países, na França os grandes atacadistas e varejistas de alimentos preferem amontoar tudo e, antes de atirar nos caminhões de lixo, jogar litros de água sanitária por cima, de modo a impossibilitar qualquer tipo de consumo ou reciclagem.

Mas a partir de agora está proibido aos distribuidores do setor alimentício inutilizar os seus produtos que não foram vendidos. As punições são severas – multas elevadas e pena de prisão de até dois anos para gerentes e diretores rebeldes - e podem chegar à perda de licença do estabelecimento no caso de reincidências. “Ver galões de água sanitária sendo jogados nos latões de lixo dos supermercados, quase sempre cheios de produtos que ainda podem ser consumidos sem riscos, ou que pelo menos podem ser reciclados e se tornar adubo ou comida para animais, é um escândalo intolerável”, disse Guillaume Garot, ex-ministro da Agroalimentação, e uma das vozes importantes que levaram à promulgação das novas leis. A decisão é exemplar, e deverá fazer escola nos países da Comunidade Europeia. Antes de se espalhar – assim se espera – pelo resto do mundo.

 Alimentação animal, adubos, energia

Toda a cadeia francesa de produção e comercialização de alimentos está obrigada a se esforçar no sentido de prevenir e evitar todo desperdício. Os estoques que não foram vendidos deverão ser destinados por doação a instituições de caridade ou empenhadas no bem estar social. As sobras poderão também ser encaminhadas para a alimentação animal ou, ainda, para a produção de adubos e compostos para a agricultura ou para a valorização do parque energético nacional (produção de álcool, de biodiesel, etc)

As novas leis também obrigam a todos os supermercados com área superior a 400 metros quadrados a assinar uma convenção com uma ou mais associações de caridade, a fim de facilitar as doações alimentares às comunidades carentes ou necessitadas. Ao mesmo tempo, os produtos que retornariam aos produtores ou fornecedores e que via de regra eram destruídos, a partir de agora deverão ser destinados à doação.

Essas medidas objetivam também a criação, em escala nacional na França, de uma cultura geral de economia e do não desperdício de alimentos que começa nos grandes espaços produtores e do comércio para acabar nas cozinhas e nas mesas dos cidadãos consumidores. O novo pacote de leis promulgado estipula também a criação de programas educacionais nas escolas e nas empresas a respeito do desperdício de alimentos. Com tais iniciativas, o país espera ter superado o problema do desperdício até o ano 2015.

Tais medidas são dignas de todo apoio e de aplauso, sobretudo quando se sabe que os 870 milhões de indivíduos subnutridos e famintos existentes na atualidade poderiam ser decentemente alimentados se simplesmente as sobras desperdiçadas no mundo desenvolvido fossem coletadas e distribuídas.

 As datas de vencimento confundem o consumidor

Não seria excelente se também nos Estados Unidos, no Brasil e em todos os países fossem aprovadas leis e programas educacionais semelhantes? Recente relatório demonstra que nos Estados Unidos 21% de toda a comida é jogada fora e desperdiçada ao nível do consumidor. Ao nível do distribuidor, o desperdício é de cerca 10%.

The Waste & Resources Action Program, importante ONG baseada no Reino Unido, informa que os avisos “vender até”, “consumir até”, “melhor antes de” visíveis nos pacotes e embalagens de comida fresca frequentemente confundem os consumidores e contribuem para desnecessários desperdícios de alimento. As pessoas tendem a pensar que esses são avisos de expiração peremptória, ou que a partir dessas datas o produto se torna perigoso e impróprio para o consumo. Não percebem que, na imensa maioria das vezes, essas datas são arbitrárias. Os alimentos podem permanecer bons para consumo por muitos dias depois da data estampada, e comidas enlatadas ou empacotadas podem permanecer ótimas por vários meses e até anos após a data.

As estatísticas são impressionantes: estender por apenas mais um dia a data de validade dos alimentos empacotados eliminaria 250 mil toneladas anuais de comida desperdiçada unicamente no Reino Unido!

 Estatística alarmante

À parte os méritos humanitários da implantação de uma política geral de  não desperdício alimentar, existe um outro fator assustador em pleno andamento no mundo todo: esse desperdício é, hoje, o terceiro maior fator de emissão de dióxido de carbono, um dos principais gases que provocam o efeito estufa gerador do aquecimento global, superado apenas pelas emissões poluidoras dos Estados Unidos e da China!
Com uma população global de cerca 7,2 bilhões de almas encarnadas sobre a Terra, alimentar dignamente todas as bocas do mundo certamente significa um enorme pedágio em termos da sustentabilidade do planeta. Mas as pessoas precisam comer... E um novo relatório das Nações Unidas, a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) adiciona ao cenário um agente perturbador: A cada ano, cerca de um terço de todos os alimentos produzidos para o consumo humano - cerca de 1,3 bilhões de toneladas – são desperdiçados, juntamente com a terra, a energia, a água e os produtos químicos necessários para produzi-los e processá-los.

É preciso por um basta nessa irresponsabilidade egoísta e imoral. Na França, o desperdício já é crime. Esperamos que o resto do mundo siga o exemplo francês. E para quem ainda não está convencido, aconselhamos ouvir as palavras do Papa. Francisco afirmou recentemente que “a cultura do desperdício alimentar é como roubar dos pobres”

Por Brasil 247